quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Livro: As Três Marias



E finalmente eu assinei a TAG Livros. Depois de muito relutar, depois de muitas tentações, de muito choro e ranger de dentes ponderar... me rendi. E estou bem satisfeita. Até agora, recebi quatro livros e o primeiro que li foi o último que chegou. Isso porque tempo é artigo em falta por aqui (um dia eu conto tudo o que tá rolando).

As Três Marias é um livro quase autobiográfico de Rachel de Queiroz. Isso porque a personagem principal, Maria Augusta, chegou ao colégio interno Imaculada Conceição, em Fortaleza, aos 12 anos, mesma idade em que o mesmo se deu com a autora. Lá, Guta fez duas fortes amizades, com Maria da Glória e Maria José, personagens inspiradas em duas grandes amigas que Rachel fez no internato e que a acompanharam por toda a vida. As três meninas eram chamadas pelas freiras de "as três Marias", tal como Rachel e suas amigas. A história de Glória e de Maria José antes de entrarem no Imaculada também é semelhante às das amigas da autora.

Mas a história segue e toma rumos muito interessantes. As meninas têm, cada uma, uma dor do passado, relacionada à família. Glória é órfã de pai e mãe; Maria José teve o pai trocando a mãe por outra mulher; Guta é órfã de mãe e viu o pai se casar novamente com a madrasta, que é boa, mas rígida, e insiste que deve ser chamada de Madrinha. Juntas, as três trocam impressões do mundo e veem a vida passar pelos pátios do colégio, pela vontade de contato com a vida exterior, pela ansiedade dos romances.

Ao saírem da escola, cada uma segue um caminho, mas sempre estão em contato. A vida sobrevem e mostra às meninas caminhos não antes imaginados. Guta, que conduz a história, em primeira pessoa, é levada pela ânsia de conhecer o mundo, enquanto se apercebe de coisas que não pode controlar. O suicídio de um amigo, a perda de um amor, um amor considerado ilícito, o casamento e os filhos dos amigos, a devoção de Maria José, a plenitude de Glória... tudo é contato de uma forma tão intensa e ao mesmo tempo tão simples...

Foi uma delícia de ler. O livro é curtinho, a história é instigante, cheia de detalhes, com um toque feminista, embora Rachel não aceitasse ser tomada como feminista. Chorei em alguns pontos e, em especial, no final. Fiquei com a trama na cabeça, pensando em Guta e em seus caminhos.

A edição da TAG é lindíssima! Desde o papel, à fonte, passando pela encadernação, pela capa dura, pelo projeto gráfico, pela arte da capa. Dá muito gosto de ler, é confortável e facilita muito a vida do leitor. Junto a cada edição vem uma revista que fala do curador do mês, que escolheu a obra, sobre a obra em si e suas repercussões e, ainda, sobre o curador do próximo mês, com dicas para o próximo livro. A edição de agosto, a primeira que recebi, veio com Ragtime. Na revista, a indicação da próxima obra me fez descobrir, de cara, que era Quase memória, do Cony, livro que tenho e que já li várias vezes. Pedi para não receber e a TAG trocou pela edição de O anjo pornográfico, do Ruy Castro, curador do mês. A edição do Quase memória ficou linda, mas não me arrependo da troca. Li O anjo pornográfico da biblioteca da PUC, na graduação, e sempre quero checar alguma coisa no livro, mas não tenho o volume. Problema resolvido!

Ah, as edições da TAG sempre vêm com um brinde. Para As Três Marias veio um baralho literário da Copag, muito lindo!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Livro: Dias de abandono


Quando fui pra Curitiba apresentar um trabalho num congresso, coloquei só o Ipad na mala, porque estava estudando muito e os textos eram em .pdf. Mas aí, quando cheguei lá, tinha uma feira do livro em alguns pontos da cidade, uma livraria ao lado do hotel e a venda de livros técnicos no congresso. Acho que voltei com dez volumes na mala. Dias de abandono foi o único de ficção, porque estamos empenhados em estudar cada vez mais.

Fazia tempo que eu queria ler Dias de abandono. O livro é bem fino (perto da Tetralogia Napolitana, é um conto), mas denso pra caramba. E cheio de camadas, como é bom. A narradora é Olga, uma mulher que já começa dizendo que o marido disse que a deixaria. Ela está com os dois filhos, sem entender o motivo de ter sido abandonada. Ela sofre, fica sem saber o que fazer, para onde ir, como conseguir o marido de volta, como cuidar dos filhos. Como sobreviver quando o chão desaparece?

Porém, É Elena Ferrante, né? Nada é simples, nada é limpo, nada é linear. Olga não é uma narradora confiável. Parece que temos duas histórias acontecendo ao mesmo tempo: a que Olga conta e a que se passa com ela. Então, não tem como deixar de dizer o óbvio: Elena Ferrante é genial!

Tirando Um amor incômodo, que foi meio estranho (mas um ótimo livro de estreia), a obra da Elena Ferrante é muito boa. Dá para tirar algumas coisas que se repetem, mesmo que se desenvolvam de forma diferente: a relação mãe e filha, a violência entre os casais, a sempre presente superioridade masculina, os gritos e a violência familiar, a fuga dos lugares de origem e a impossibilidade do desvencilhamento.

Da Elena Ferrante, ainda não li Frantumaglia, mas tô doidinha pra ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child
Sobre A filha perdida

Sobre Um amor incômodo

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #162

1 - Estado civil
Da Priscila Cattoni. Um texto muito bonito sobre luto e sobre as transformações da vida. Chorei muito na leitura.

2 - Amor ou telemarketing?
Ainda da Priscila Cattoni. Sobre a invasão absurda de uma campanha de marketing de funerária. E outras coisas quetais.

3 - Por que o Brasil não ganha o Nobel de Literatura
Do André Forastieri. Uma reflexão bem interessante sobre a literatura contemporânea brasileira. Com pesquisa para embasar e mostrar que, no fim, não temos Nobel porque realmente falta qualidade. Bem de leve, ele pergunta onde estão os nossos escritores com o porte de Svetlana Alexievitch (tenho três livros dela e só li um, que é arrebatador)

4 - Corpinho de Biquini
Da Ludmila. Sobre corpos, biquínis, verões, padrões.

5 - I made it!
Da Amanda Lourenço. Acompanhei pelo blog e pelo Instagram a caminhada da Amanda pela Apalachian Trail, nos Estados Unidos. Muita vontade de fazer o mesmo. Pouquíssima coragem, né? Vou seguir acompanhando, porque a ideia dela é escrever um livro e deve ser muito bom, melhor do que o da Cheryl Strayed, que é bem interessante, mas meio chatinho.

6 - 3 semanas
Da Helô Righetto. Sobre as separações necessárias quando um casal é quase uma pessoa só. Muito bonitinho, e foi muito engraçado me identificar com a Helô no quesito "só eu lavo roupa" e "nunca cozinho".

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #161

1 - 0013
Do Draminha, esse blog fofinho. Sobre Elena Ferrante e a Tetralogia Napolitana. Delícia de texto. A autora ainda concorda comigo sobre o Enzo, melhor personagem da série. Talvez o único que presta. Não sei se eu concordo com ela sobre a Lila, mas acho que ela é melhor que a Lenu, sim.

2 - Por que a cultura nerd odeia as mulheres
Do Think Olga. Uma reflexão sobre o ódio às mulheres e, ainda, aos negros, dentro da cultura nerd. Vale a pena ler e pensar a respeito.

3 - A cura
Do Ramon Cotta. Sobre uma cura para algo que não é doença. Sobre esses tempos loucos que estamos vivendo no Brasil.

4 - 2007-2017 Uma década de transformações
Da Lady Bug. Como foi bacana ver a Lúcia revisando esse período! Eu acompanhava o trabalho pela lista super ativa, então, dos Jornalistas da Web, sempre com discussões muito ricas. Seguia de longe os encontros no Gafanhoto, por motivos de estar longe o suficiente, e fiquei fascinada com o modelo de desconferência. Aprendi muito! E deu saudade.

5 - A terrível verdade sobre o golpe comunista em curso no Brasil
Do Sakamoto. Porque é bom rir um pouco quando a situação está caótica.

6 -  Quinze maneiras de identificar relações abusivas e o que podemos fazer
Da Karina Kuschnir. Um ótimo texto, com caminhos interessantes, tanto para ver que há relação abusiva quanto para levantar ações para se livrar delas. É preciso começar por algum lugar...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Livro: História do Lance!



Quando me vi acadêmica de Jornalismo, no século passado (g-zus!!), meu primeiro movimento foi para o jornalismo esportivo. Desde que comecei a ler jornais, ainda sem nem me imaginar no jornalismo, era o caderno de esportes que eu pegava primeiro. Depois cultura, depois o primeiro. Sempre fui doida com esportes, mesmo não sendo boa praticante. Já contei a saga de viver sem televisão em meio à principal disputa esportiva no planeta. Falo sempre que há uma televisão lá na agência apenas porque eu queria ver a Copa do Mundo. E que eu sabia, há uns anos, o Guia dos Curiosos - Esportes quase de cor, em especial as partes das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

Porém, na faculdade eu acabei indo pra outro lado, o da produção de TV, enquanto a vida profissional me levou para as assessorias de imprensa. Continuei gostando de esportes, mas dei uma desencantada geral com o jornalismo esportivo. Só voltei a olhar de novo pra essa área no mestrado, quando comecei um estágio de docência informal na disciplina de Jornalismo Esportivo. Daí pra começar a ler mais sobre a área, ver a teoria e tal foi um pulo. E o Lance! surgiu assim meio do nada, porque é o único jornal diário do Brasil dedicado totalmente aos esportes, com foco em futebol. Foi quando esse livro do Mauricio Stycer (que eu conheço mais como crítico de TV) pulou na minha frente.

O livro é fruto da dissertação de mestrado do Maurício, na área de Sociologia. Como um dos editores do Lance! quando o jornal foi lançado, ele tem muita história de bastidores pra contar, mas não é isso que faz aqui. Ele pesquisa a história do jornalismo esportivo brasileiro, levantando desde os primórdios das notícias de esportes, perdidas em uma edição normal, até o lançamento dos primeiros jornais dedicados, com destaque para dois: a Gazeta Esportiva (que hoje é um site, sem edição impressa) e o Jornal dos Sports (já falecido). Ele conta como o Lance! foi pensado, criado, investido, todo o trabalho de projeto editorial criado junto ao projeto gráfico, como as duas redações (uma no Rio, outra em São Paulo) se coordenavam, para terem material específico e conjunto.

O texto tem aquela forma acadêmica própria, mas tem muito do estilo que a Sociologia preserva. Tive um pouco de dificuldade em encontrar no clima correto do texto, porque escreve-se, na Comunicação, de forma bastante diferente. Maurício é muito minucioso e levanta detalhes bem interessantes sobre cada momento da pesquisa, o que deixa o trabalho bastante rico. Porém, não entra em questões próprias do jornalismo, o que me deixou um pouco frustrada. O único momento em que acredito que o jornalismo prevaleça é quando ele fala sobre o projeto editorial, criado com o auxílio de um profissional espanhol, e das dificuldades que esse projeto trouxe para o corpo de repórteres e editores. Foi bem interessante poder acompanhar isso.

No fim, foi uma leitura boa, mas que me deixou um pouco frustrada, porque eu esperava mais de jornalismo, menos de história e sociologia. Por outro lado, me deixou com várias ideias...


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...