quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Livro: História do Lance!



Quando me vi acadêmica de Jornalismo, no século passado (g-zus!!), meu primeiro movimento foi para o jornalismo esportivo. Desde que comecei a ler jornais, ainda sem nem me imaginar no jornalismo, era o caderno de esportes que eu pegava primeiro. Depois cultura, depois o primeiro. Sempre fui doida com esportes, mesmo não sendo boa praticante. Já contei a saga de viver sem televisão em meio à principal disputa esportiva no planeta. Falo sempre que há uma televisão lá na agência apenas porque eu queria ver a Copa do Mundo. E que eu sabia, há uns anos, o Guia dos Curiosos - Esportes quase de cor, em especial as partes das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

Porém, na faculdade eu acabei indo pra outro lado, o da produção de TV, enquanto a vida profissional me levou para as assessorias de imprensa. Continuei gostando de esportes, mas dei uma desencantada geral com o jornalismo esportivo. Só voltei a olhar de novo pra essa área no mestrado, quando comecei um estágio de docência informal na disciplina de Jornalismo Esportivo. Daí pra começar a ler mais sobre a área, ver a teoria e tal foi um pulo. E o Lance! surgiu assim meio do nada, porque é o único jornal diário do Brasil dedicado totalmente aos esportes, com foco em futebol. Foi quando esse livro do Mauricio Stycer (que eu conheço mais como crítico de TV) pulou na minha frente.

O livro é fruto da dissertação de mestrado do Maurício, na área de Sociologia. Como um dos editores do Lance! quando o jornal foi lançado, ele tem muita história de bastidores pra contar, mas não é isso que faz aqui. Ele pesquisa a história do jornalismo esportivo brasileiro, levantando desde os primórdios das notícias de esportes, perdidas em uma edição normal, até o lançamento dos primeiros jornais dedicados, com destaque para dois: a Gazeta Esportiva (que hoje é um site, sem edição impressa) e o Jornal dos Sports (já falecido). Ele conta como o Lance! foi pensado, criado, investido, todo o trabalho de projeto editorial criado junto ao projeto gráfico, como as duas redações (uma no Rio, outra em São Paulo) se coordenavam, para terem material específico e conjunto.

O texto tem aquela forma acadêmica própria, mas tem muito do estilo que a Sociologia preserva. Tive um pouco de dificuldade em encontrar no clima correto do texto, porque escreve-se, na Comunicação, de forma bastante diferente. Maurício é muito minucioso e levanta detalhes bem interessantes sobre cada momento da pesquisa, o que deixa o trabalho bastante rico. Porém, não entra em questões próprias do jornalismo, o que me deixou um pouco frustrada. O único momento em que acredito que o jornalismo prevaleça é quando ele fala sobre o projeto editorial, criado com o auxílio de um profissional espanhol, e das dificuldades que esse projeto trouxe para o corpo de repórteres e editores. Foi bem interessante poder acompanhar isso.

No fim, foi uma leitura boa, mas que me deixou um pouco frustrada, porque eu esperava mais de jornalismo, menos de história e sociologia. Por outro lado, me deixou com várias ideias...


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...