quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Livro: O nascimento de Joicy




A primeira vez que ouvi falar em O nascimento de Joicy foi na disciplina de Metodologia do mestrado. Uma das professoras leu o início do livro e foi como tomar um tapa na cara. Fiquei bem a fim de ler, mas estava envolvida com... a própria metodologia da minha pesquisa, que me fez usar três propostas metodológicas diferentes e foi bem estressante.

Pois bem. Em 2017, a autora, Fabiana Moraes, veio para o Ciclo de Jornalismo e Literatura do Fórum das Letras e lá fomos, Luana (essa queridona) e eu para assistir. A mesa foi composta pela Fabiana e pela Daniela Arbex, que escreveu Holocausto brasileiro (livro que ganhei dos queridos Marcelo e Debora e ainda não li), e mediada pela Marta Maia, que foi minha professora no mestrado. Quando mais a Fabiana falava, mais vontade eu tinha de ler o livro e as demais matérias especiais que ela produziu para o Diário do Commércio de Recife/PE. Ao fim da mesa, não havia O nascimento de Joicy para vender (havia os da Daniela Arbex). Luana e eu compramos, então, pela Amazon. O livro chegou e foi devidamente colocado na pilha pra ser lido.

A narrativa é dividida em três partes. A primeira é a série de reportagens que Fabiana fez com Joicy, a próxima a fazer a cirurgia de redesignação sexual. Joicy nasceu João, no sertão de Pernambuco. Enfrentou muito preconceito, até mesmo na fila para a cirurgia. Por não ter corpo e adornos femininos, demorou mais que o tempo determinado na terapia. Não era vista com paciência pelos profissionais da saúde. Joicy tem uma personalidade forte, o que causou problemas com familiares, pessoas de seu convívio e pessoas com quem precisou lidar para conseguir a cirurgia. A história é triste e muito forte. Com ela, Fabiana ganhou o Prêmio Esso, o maior do jornalismo brasileiro.

A segunda parte traz desdobramentos da reportagem, para a jornalista e para Joicy. O que aconteceu após a cirurgia para ambas. Como conviveram, como se comportaram, as implicações do novo corpo para Joicy. Sua vida na pobreza, que continuou. A relação truncada com Fabiana.

A terceira parte tem uma reflexão mais acadêmica sobre ética na profissão do jornalista, em especial na relação com a fonte. É uma verdadeira aula, atualizada. Novos conceitos, novas implicações.

Durante a leitura, marquei alguns pontos interessantes. A cirurgia de redesignação sexual é realizada pelo SUS, após vários anos de tratamento, que envolvem acompanhamento psicológico e psiquiátrico. É uma cirurgia sem volta, então é necessário que paciente e equipe médica tenham muita certeza da decisão. Há uma pesquisa que aponta que o hipotálamo de homens que se reconhecem como mulheres tem glândulas compatíveis com o corpo feminino. Ou seja: o cérebro é programado para um gênero, enquanto o corpo, para outro.

A cirurgia só é oferecida no SUS porque a transexualidade é classificada pela OMS como um transtorno de personalidade. Há, na primeira parte do livro, um ponto em que Fabiana toca na questão do sofrimento, do tamanho do sofrimento. Porque há quem questione que o SUS faça a cirurgia, enquanto poderia investir em outros tipos de atendimento mais básicos. Porém, quem sofre com um corpo que não reconhece sofre mais ou menos? É possível medir?

Outro ponto importante é sobre o gênero. Lembro demais de uma amiga quando me contou que tinha se descoberto transgênera. Até então, enquanto se entendia como homem, ela achava que era gay, pois se sentia atraída por outros homens. Depois de muita terapia, reconheceu que seu gênero era o feminino, enquanto seu corpo era masculino. Assim, foi fácil para ela entender que era hetero. Porém, como acontece no livro, as pessoas ao redor reconheciam um homem gay. Fabiana mostra como Joicy lutava diariamente para ser reconhecida como mulher pela família, pelos vizinhos, pelos amigos. Dado curioso: as crianças do entorno de Joicy tinham mais facilidade em respeitá-la enquanto mulher.

Só tenho a dizer que é um livro maravilhoso e que merece ser lido por todos os estudantes de jornalismo. E pelos jornalistas atuantes também. Muito do que tem no livro - pra não dizer todo ele - é necessário. É uma aula de escrita e narrativa jornalística, de discussão da produção de jornalismo.

E o Stênio, o queridão que foi meu estagiário e hoje brilha no mundo do trabalho profissional do jornalismo, vai receber o livro de presente!


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 28 de janeiro de 2018

Citações #221

De Mastigando Humanos:


Aquilo era uma ameaça velada. Como eu poderia permitir um sujeitinho desses no poder? Pensando bem, apenas sujeitinhos como esse é que ficam no poder. A vontade de governar, a arrogância de achar que tem a chave para a organização social, a ilusão de que a sociedade pode ser governada, s´ø poderia mesmo vir de um animal assim, com o cérebro espremido dentro de um minúsculo crânio, uma enorme fome espremida dentro de um minúsculo estômago. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Livro: 17 grandes polêmicas do futebol brasileiro



Pra quem gosta de discutir futebol, esse livro é uma delícia!

O autor, Sérgio Xavier Filho, foi durante muitos anos editor da revista Placar e fez uma pesquisa bem extensa sobre questões bem polêmicas do futebol brasileiro. A que mais me divertiu foi a dos mil gols de Túlio e de Pelé. Gente, como é que pode??? Tudo inflacionado!

A história dos campeonatos brasileiros também foi bem interessante. Eu não entendia muito o motivo de dizerem que o futebol nacional é muito desorganizado. Só lembrava de problemas de datas de campeonatos, agendas muito cheias e etc. Mas o Sérgio conta a história dos títulos nacionais, como eles foram criados, unificados e polemizados. Muitas coisas podres no futebol. A máfia do apito, que sacudiu o futebol brasileiro em 2005, também está lá.

O livro tem uma pesquisa muito grande, muitos números, muitas lógica, muitos apontamentos. Nem sempre o autor chega a uma conclusão. Em alguns casos, como na pergunta se Tite é maior ou menor que Telê, ele fala que a resposta depende da Copa de 2018. Se o Brasil for campeão (oremos... eu tento não torcer, mas não dou conta), Tite sai vencedor dessa disputa. Nesse capítulo, também é interessante ver a posição do treinador na profissionalização do futebol.

O principal do livro: definitivamente, o Galo é o time mais injustiçado do Brasil. Tá lá, só conferir.

Como não vou ficar com o livro, pensei em ofertar no Twitter, como sempre faço. Mas aí lembrei de um dos meus amigos de Twitter, o Israel Marinho. Ele é jornalista e fanático por futebol. Tem só um probleminha: é cruzeirense. Mas é uma pessoa muito bacana, apesar disso (hahahaha). Daí, o livro vai pra ele!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 21 de janeiro de 2018

Citações #220

De Mastigando Humanos:


Nessas horas é fácil entender a fuga de todos nós. Garotos afundando no esgoto, crianças beijando sapos, sapos cheirando cola, mendigos bebendo cerveja. Afinal, todos os prazeres são orais... e é possível recorrer a alguns para esquecer os outros, como se entorpecer para esquecer do jantar. Empinar o nariz em outra direção para esquecer as batatas da perna do colega... Perguntar ao pó. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sociável

Quando fiz meu balanço de 2017, comentei que tinha sido um ano muito sociável. Encontrei muitas pessoas, saí muito, viajei bastante, recebi muitas visitas.

Tenho uma percepção, que pode até ser meio torta, mas que faz bastante sentido: as mortes da Vovó, da Tia Ylza me tornaram mais sociável. Isso porque após a ausência delas, eu me permiti sair mais de casa. Sempre me preocupou deixar Vovó sozinha à noite.

Mas Leo tem bicho-carpinteiro e é rueiro pra caramba. Nós tínhamos um acordo de sair juntos uma vez por semana. Em geral, era às quintas-feiras. E era super rápido, pra gente voltar pra casa antes do fim das novela das 21h, que era quando Vovó ia dormir. Ia dando o horário, eu ficava preocupada, querendo ir embora. Era penoso pra mim e pra ele.

Além das quintas, saíamos esporadicamente durante a semana, se fossemos convidados por algum amigo. E várias vezes Leo foi sozinho, porque eu não queria deixar Vovó.

Quando as duas faleceram, já contei aqui que fui inundada de carinho por pessoas de quem eu esperava muito pouco, já que eu não me esforçava tanto por estar por perto. Foi um momento muito triste e muito feliz ao mesmo tempo, porque tornou tudo mais leve. E, daí, comecei a me desgarrar da vida de dentro de casa.

Sim, eu ainda prefiro ficar em casa. Mas saio sempre que posso, agora. Sempre que chamam. E quando não chamam, eu chamo. Ou vamos só Leo e eu mesmo. Temos os nossos lugares favoritos pra ir (um viva à Ouropretana) e acabamos conhecendo muitas pessoas de 2015 pra cá. Além dos amigos de sempre, surgiram os amigos do mestrado e a turma da Ouropretana, com nossos encontros no bar e nas casas dos participantes. Pela primeira vez na vida, em 2016, comemorei meu aniversário em um churrasco com os amigos aqui em casa. Juntamos a galera que faz aniversário em setembro e foi uma comemoração conjunta deliciosa. Tão boa que repetimos em 2017, adicionando mais duas queridas aniversariantes de setembro e o agregado delas. Festa, celebração, encontro.

2018 tá indo pro mesmo caminho. Só pra contabilizar:
- na primeira semana, tivemos um evento na quarta, uma saída na quinta, outra no sábado e outra no domingo;
- na segunda semana, tivemos uma saída na segunda, outra na terça, outra na sexta e outra no domingo.

Ou seja: só nas duas primeiras semanas de 2018, saímos de casa oito vezes. Muito mais do que no segundo semestre de 2014, depois da morte da Tia Ylza, quando o que eu mais queria era aproveitar meu tempo com Vovó.

Tem mais: tem despedida de amigos, tem casamento, tem visita. Só em janeiro. O ano promete.

E antes que alguém fale que eu troquei Tia Ylza e Vovó pelos amigos, eu só posso dizer que não houve troca alguma porque os amigos sempre estiveram por perto, compreendendo o meu momento de estar com elas. Não tenho palavras para pessoas com esse nível de empatia. Só amor.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Livro: As alegrias da maternidade



As alegrias da maternidade teve um sabor bem agridoce. Foi o livro de outubro da TAG, indicado pela musa Chimamanda Ngozi Adichi. Expectativa lá em cima, ainda mais que só ouvia elogios ao livro. Elas foram cumpridas sim - às vezes vale a pena criá-las. Foram até ultrapassadas.

A protagonista é Nnu Ego, filha de um ~aristocrata~ do interior da Nigéria. Pertence à etnia Igbo. Seu pai, Agbadi, tinha, como era o costume, várias esposas. Sua mãe, Ona, era amante, não esposa. Porém, era ela quem Agbadi amava. Quando Nnu Ego nasceu, foi abraçada pelo pai como filha preferida. Ona morre e Nnu Ego cresce seguindo o destino das mulheres: casar e ter filhos homens. Seu casamento com Amatokwu começa feliz, com os dois jovens apaixonados. Mas Nnu Ego não engravida, e o marido acaba tomando outra esposa, que logo fica grávida. O peso de não ter filhos, se ver marcada pela sociedade, logo toma Nnu Ego e, devido a um acontecimento com o filho mais velho da nova esposa do marido, ela volta para a casa de Agbadi. O pai devolve o dote e arruma um novo casamento para a filha.

Para se casar com Nnaife Owulum, Nnu Ego precisa deixar sua aldeia, Ibuza, e ir para Lagos, a capital da Nigéria, uma terra com costumes muito diferentes. Só o choque de culturas daria uma história cheia de coisas interessantes. Por exemplo: Nnaife trabalha lavando e passando roupas de um casal inglês. Para Nnu Ego, é uma afronta o marido lavar e passar as roupas de baixo de uma mulher. Para ela, um bom homem é aquele que trabalha na lavoura, fica queimado de sol e tem o corpo atlético pelo trabalho pesado. Nnaife é o contrário: barrigudo, a pele mais clara, delicado. Ela odeia o novo marido logo de cara. Mas aceita o destino de ser a esposa, de cuidar da casa, da comida do marido. E de lhe dar filhos.

A vida de Nnu Ego é um sofrimento sem fim. E é por isso que As alegrias da maternidade é agridoce. É um livro árido, uma história triste e forte. Ao mesmo tempo, é um mergulho lindo em uma outra cultura, cheia de nuances. A autora, Buchi Emecheta, viveu seus primeiros 20 e poucos anos na Nigéria, depois mudou-se para Londres e, mais idosa, para os Estados Unidos. Seu olhar para a Nigéria é crítico, com um toque ocidentalizado. Os costumes da Nigéria são colocados na roda: a primazia dos homens, a estrutura familiar, em que sempre alguém toma conta da família (e quando o homem mais velho morre, o que é logo abaixo dele na hierarquia ganha de ~presente~ as esposas e filhos do falecido), a expectativa de se fazer dinheiro com as filhas, por conta dos dotes, como se fosse um fardo que se transforma num investimento a longo prazo. E o olhar superior que os brancos têm com a África, fazendo com que os africanos acreditem que são inferiores e incapazes. O conflito entre a vida de Lagos, governada pelos brancos, com os costumes ancestrais de Ibuza, é bem interessante. O livro também mostra como os costumes vão ruindo com o passar dos anos. O fim do livro é muito impactante sobre isso, em especial com Oshiaju, o segundo filho de Nnu Ego.

Mas, principalmente (e é por isso que gosto mais ainda do livro), um olhar muito feminista, que capta as dores dessas máquinas de procriar, que só têm um mínimo valor quando são mães de meninos. E, especialmente por isso, a ironia do título é sensacional! Os conflitos de Nnu Ego com as filhas, para ensiná-las seu lugar inferior na sociedade, são muito difíceis de serem lidos, e ainda assim são brilhantes.



Há boatos de que As alegrias da maternidade sairá em breve - até o momento, é uma edição exclusiva da TAG.

O livro é lindo, tem um projeto gráfico incrível - confesso que fiquei vários dias babando no projeto, em cada detalhe, pensando no trabalho gostoso que deve ter sido criá-lo. Selo "Aline" de aprovação com louvor! Além disso, é uma história maravilhosa, dessas que ficam dias e dias ressoando na mente. Amei!


Da Chimamanda, já tivemos por aqui:
Os perigos de uma história única
Hibisco roxo
Meio sol amarelo
Sejamos todos feministas

Tenho Americanah, mas ainda não li.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #163

1 - O edifício maldito
Da revista Piauí. Sobre o edifício Rainha da Sucata, que fica na Praça da Liberdade, em BH. São muitas histórias sobre a sua existência, sobre seu projeto e sobre a forma como a população viu a construção. Amei o texto!

2 - O direito ao luto
Do Ramon Cotta. Sobre como é importante sofrer quando for pra sofrer. E sobre a urgência de estarmos todos tão bem como num comercial de margarina.

3 - O corpo da outra
Da Clara Averbuck, no Lugar de Mulher, que estava sumido. Sobre julgamentos e sobre amar o próprio corpo, independente do que os outros pensam.

4 - Brechó + lista mental
Da Lud. Sobre corpo, ainda, mas também sobre se conhecer, encontrar seu próprio equilíbrio, não virar escrava do capitalismo e encontrar estilo.

5 - Quem tripudia dos direitos humanos chama a si mesmo de lixo
Do Sakamoto. Algo com que eu sempre concordei. Se você é contra os direitos humanos, é contra os seus próprios direitos. Ou você não é humano?

6 - O currículo dos fracassos acadêmicos
Da Verônica. Que texto perfeito pra mim! Caiu como uma luva! E vou confessar que quero ser a Verônica quando crescer.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 14 de janeiro de 2018

Citações #219

De Mastigando Humanos:


Os seres humanos inventaram coisas demais com que se preocupar. As notícias do dia, os clássicos da literatura, as fofocas da novela, os perfumes, as roupas, os memes e as receitas para conquistar o sucesso. Talvez se esqueçam de que precisam mesmo manter o estômago cheio. Fazem lipo. E nessas tantas preocupações tão desnecessárias - para a evolução, perpetuação, existência - evoluem esquecendo-se do prato principal. 
Talvez tenha sido a descoberta do fogo, da roda, o polegar opositor. Algo que os distraiu e os potencializou - seguiram para uma outra direção. Eu realmente não acredito que sejamos menos capazes, nós, os jacarés, veja só meu exemplo. Gostamos de tomar sol como vocês nas férias; nadar como vocês nas férias; comer piranhas como vocês. Nosso dia a dia é aproveitado como as breves férias de vocês. E muitos de vocês ainda por cima planejam nos visitar durante esse período nos lagos e rios, nas enciclopédias, nos zoológicos, no Animal Planet! Veja só para onde nos levou nossa escala evolutiva.  


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pra 2018

Não preparei nada especial pra 2018. Nem nada que não fosse especial. Não fiz a lista de querências que eu sempre faço (mesmo porque eu sei de cor o que eu quero e as querências que não mudam de um ano pra outro).

Mas fiz algumas coisas.

Comprei dois calendários de mesa. Um pro home-office, um pra agência. Sempre ganhava um ou mais, mas agora resolvi comprar um bem colorido, do jeito que eu queria. Não consigo mais ficar sem o calendário ao lado, mesmo sabendo que posso abrir o do computador. A questão é facilitar a minha vida, e se eu olho pro lado e vejo o mês desenhado, consigo me planejar melhor. Há anos eu falo que o planejamento faz toda a diferença. Ao menos pra mim, sem planejamento não tem ação realizada direito. E o calendário faz parte disso.

O calendário colorido.
Com a Kakamora que a Maria fez pra mim.
E com a Matrioska que a Nara trouxe da Rússia. 

Separei um monte de livros de literatura que quero ler este ano. Junto com eles vai um tanto de não ficção, mas não acadêmicos, que também quero ler. Estão no móvel ao lado do meu criado-mudo, em três pilhas. Provavelmente, será uma lista #fail, porque eu já sei que não terei tempo pra todos eles. Meu combinado comigo mesmo é que eu tiver lido ao menos a metade até o fim de 2018, está ótimo.

O plano financeiro está ok, o plano de lugares para ir está definido, o plano de trabalho está devidamente documentado e prontíssimo pra ser executado. O plano de estudos, que é o principal pra mim, está bem encaminhado. Tem um monte de anjos acadêmicos na minha vida (só pra citar alguns: Ana Paula, Luana, Nara, Debora, Marcelo, Mario) que estão colaborando muito. Os livros e textos a serem lidos estão organizados. O material a ser escrito, também.

A casa está organizada também. Não que esteja tudo no lugar, mas está quase tudo lá. Mas ainda tem uma lista de coisas que devem ser observadas - a proposta é que esteja tudo realizado até o fim do ano. A lista tem a ver com minimalismo sim. Porque quanto menos, mais. E casa grande faz a gente querer guardar muitas coisas, porque tem espaço. A lista de livros de literatura vai passar pela lista do minimalismo: acabei de ler, será doado. Se for a cara de alguém que eu conheço, vai pra essa pessoa. Se for a cara de alguém que eu não conheço, vai pro Twitter - ofereço meus livros lá de vez em quando e tem dado certo.

O resumo é que estamos caminhando praquela leveza que eu queria aqui há muitos anos. Tudo tem funcionado, tudo está fluindo bem. Isso não significa que estamos livres de percalços, mas que até isso está sendo tranquilo. E isso é lindo!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

De volta a NY - Parte 7

Quase todos os tipos de clima

Nosso último dia inteiro em NY foi destinado a resolver coisas. Tínhamos algumas coisas pra levar, que precisavam ser adquiridas, vistas, procuradas. Tínhamos as malas compactar pra arrumar. Tínhamos que despedir da cidade. E o dia amanheceu feio, úmido, chuvoso e chato. Foi difícil andar na rua e no metrô. E o pé... o pé tava sofrendo. E eu com medo de piorar, por conta do solo todo molhado. Mas seguimos.

Fomos a vários lugares, que nem vale a pena contar. Eram só da nossa lista de coisas pra fazer.
Mas algumas vou comentar. De novo, fomos no Whole Food. Leo queria buscar cervejas. Ele encontrou Mikkeller em lata com um preço maravilhoso. Era uma das que ele queria trazer, e lá fomos nós buscar. Também passamos na Staples para buscar plástico bolha e garantir que as cervejas em garrafa que íamos trazer chegassem intactas. Criei uma nova especialidade: embalar cervejas para viajarem de avião.

Tinha essa também, mas não trouxemos

O outro lugar que eu queria parar desde sempre era a Barnes &Noble, que fica na Quinta Avenida. Fomos lá e eu gastei horas passeando por todos os andares, sentando no chão e olhando os livros. Acabei com dois, apenas, que vão me ajudar nas pesquisas. Queria trazer algo de GoT, mas os preços estavam impraticáveis. O volume 1 com ilustrações estava caríssimo. Acabei comprando a versão brasileira, a um preço bem mais digno.


Não tinha espaço na mala

Comprei a edição nacional, com preço digno

Isso deve ser mara, mas não cabia

Trouxe esses dois: algoritmos e ecologia de mídias

Sim, eu tava em casa

A chuva trouxe personagens ainda mais doidos no metrô

O dia não teve nada demais, a não ser ficamos passeando de um lado pro outro - e de cada lado pro hotel - na chuva e no frio.

No dia seguinte, seguimos de metrô pro aeroporto. Me dê um cartão ilimitado do metrô e um mapa que eu chego a qualquer lugar em NY! A ida pro aeroporto foi ótima. Durou cerca de uma hora, quase o mesmo tempo de carro ou de ônibus, mas muito mais tranquila. Dentro do aeroporto, há um metrô interno ligando os terminais. O nosso terminal era o último.

Já no aeroporto, esperando o metrô interno

Esperando o guichê abrir

Livro novo, da livraria da sala de embarque

Já está dando saudade? Sim. Vamos voltar logo? Acho que não. Os planos atuais são outros, mas a gente nunca deixa NY de lado, né?


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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Livro: Ruído branco


Culpa do Yuri do Livrada!, Ruído branco estava na minha lista de livros por ler há algum tempo. Comprei e fiquei com ele na estante por um tempão até que chegou o dia. A leitura foi muito rápida: comecei dia 21 e terminei dia 24 de dezembro.

A história é muito envolvente, mais pelos diálogos e pelas relações da família de Jack, o protagonista narrador, do que pelo enredo em si, mesmo que este também seja muito bom.

Jack é professor universitário numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Sua universidade parece ser beeeeem de Humanas e beeeeeem flexível com os cursos oferecidos. Jack é especialista em Hitlerologia e é, também, o coordenador desse curso. Em alguns meses, a universidade vai receber um evento de Hitlerologia e Jack, que é sumidade no assunto, não fala alemão e tem medo de passar vergonha. Um dos professores da universidade, Murray, que tenta emplacar um curso sobre a vida de Elvis Presley, nos moldes do de Hitlerologia, oferece um professor de alemão e Jack se vê às voltas com o novo idioma. Aliás, Murray é como se fosse o grilo-falante de Jack, sempre com temas muito loucos nas conversas. Já falei que os diálogos são ótimos, não é?

Jack é casado com Babette e a relação dos dois é muito interessante. Ambos vêm de relacionamentos e filhos anteriores e formam uma família bem divertida, com cada um com a personalidade muito bem delimitada. Jack é pai de Heirich e de Steffie, além de Bee e Mary Alice, que não vivem com ele. Babette é mão de Denise e do bebê Wilder, além de outro garoto que vive com o pai. E a família é super integrada, como se fosse uma colcha de retalhos absurdamente harmônica. Babette dá aulas de postura para idosos e está sempre envolvida em coisas que ajudam pessoas, tipo lendo jornais sensacionalistas para cegos (e as notícias desses jornais são ótimas!).

A vida da família e dos amigos segue um ritmo bem normal, com compras e encontros no supermercado, com as conversas surreais entre o corpo docente da universidade e Babette passando roupa, tudo entremeado pelo rádio ou pela televisão. Até que um caminhão que levava resíduos tóxicos tomba perto da cidade e forma uma nuvem tóxica que alcança a cidade. A partir daí o medo de cada personagem vem à tona, levando a várias situações muito loucas (parece propaganda de Sessão da Tarde, mas é tudo muito louco mesmo), até culminar na terceira parte do livro, em que a explosão do medo interior de cada um, aliado ao maior e mais constante medo da morte, leva a uma situação tão surreal quanto as passagens em que Jack repete seu plano infinitas vezes, enquanto as coisas se desenrolam.

Foi uma das melhores leituras do ano. Foi uma delícia ler os diálogos e as situações inusitadas em que a família de Jack se coloca. Foi muito louco me ver confrontada com a forma que o meu medo da morte assume. E com outros medos que surgiram ao pensar em minha própria morte. Espelhando um diálogo do Jack com a Babette, perguntei ao Leo quem de nós deveria morrer primeiro. Segundo ele, se for eu, ele teria que arrumar uma coroa bacana para resolver os problemas dele. E ela ficaria responsável por dar um fim aos meus livros. Demos boas risadas com isso, mas alguma coisa ficou, ainda mais depois de ter tanta coisa de pessoas já falecidas pra resolver: minimalismo é o canal. Até mesmo porque o livro esfrega na nossa cara o consumo excessivo, a realização pessoal pelo poder de compra, o supermercado como lugar de encontro social. Um tapa bem dado.

O livro foi muito importante pra mim, e mais do que justo que ele saia da minha estante e vá visitar outros leitores. Postei no Twitter que enviaria o livro pra quem quisesse recebê-lo, e a queridona da Jullyane é quem vai ficar com ele.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...