sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sociável

Quando fiz meu balanço de 2017, comentei que tinha sido um ano muito sociável. Encontrei muitas pessoas, saí muito, viajei bastante, recebi muitas visitas.

Tenho uma percepção, que pode até ser meio torta, mas que faz bastante sentido: as mortes da Vovó, da Tia Ylza me tornaram mais sociável. Isso porque após a ausência delas, eu me permiti sair mais de casa. Sempre me preocupou deixar Vovó sozinha à noite.

Mas Leo tem bicho-carpinteiro e é rueiro pra caramba. Nós tínhamos um acordo de sair juntos uma vez por semana. Em geral, era às quintas-feiras. E era super rápido, pra gente voltar pra casa antes do fim das novela das 21h, que era quando Vovó ia dormir. Ia dando o horário, eu ficava preocupada, querendo ir embora. Era penoso pra mim e pra ele.

Além das quintas, saíamos esporadicamente durante a semana, se fossemos convidados por algum amigo. E várias vezes Leo foi sozinho, porque eu não queria deixar Vovó.

Quando as duas faleceram, já contei aqui que fui inundada de carinho por pessoas de quem eu esperava muito pouco, já que eu não me esforçava tanto por estar por perto. Foi um momento muito triste e muito feliz ao mesmo tempo, porque tornou tudo mais leve. E, daí, comecei a me desgarrar da vida de dentro de casa.

Sim, eu ainda prefiro ficar em casa. Mas saio sempre que posso, agora. Sempre que chamam. E quando não chamam, eu chamo. Ou vamos só Leo e eu mesmo. Temos os nossos lugares favoritos pra ir (um viva à Ouropretana) e acabamos conhecendo muitas pessoas de 2015 pra cá. Além dos amigos de sempre, surgiram os amigos do mestrado e a turma da Ouropretana, com nossos encontros no bar e nas casas dos participantes. Pela primeira vez na vida, em 2016, comemorei meu aniversário em um churrasco com os amigos aqui em casa. Juntamos a galera que faz aniversário em setembro e foi uma comemoração conjunta deliciosa. Tão boa que repetimos em 2017, adicionando mais duas queridas aniversariantes de setembro e o agregado delas. Festa, celebração, encontro.

2018 tá indo pro mesmo caminho. Só pra contabilizar:
- na primeira semana, tivemos um evento na quarta, uma saída na quinta, outra no sábado e outra no domingo;
- na segunda semana, tivemos uma saída na segunda, outra na terça, outra na sexta e outra no domingo.

Ou seja: só nas duas primeiras semanas de 2018, saímos de casa oito vezes. Muito mais do que no segundo semestre de 2014, depois da morte da Tia Ylza, quando o que eu mais queria era aproveitar meu tempo com Vovó.

Tem mais: tem despedida de amigos, tem casamento, tem visita. Só em janeiro. O ano promete.

E antes que alguém fale que eu troquei Tia Ylza e Vovó pelos amigos, eu só posso dizer que não houve troca alguma porque os amigos sempre estiveram por perto, compreendendo o meu momento de estar com elas. Não tenho palavras para pessoas com esse nível de empatia. Só amor.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...